sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Tupi or not Tupi - Uma herança genocida.



reminiscências






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Era 22 de abril de 1500, havia meses que a galera que trazia navegadores, clérigos e indigentes de origem duvidosa desembarcou em terras tupiniquins, naquele dia, se não reinava a paz em território nacional, havia a pequena guerra branca entre tribo, com suas regras e costumes, com suas honras e ofensas, as caravelas trouxeram com elas as leis do canhão e da carabina.

A forma de povoamento e colonização em nosso território ocorreu de forma violenta e dado o passar dos séculos não temos mais a quem culpar, nos cabe no entanto cada dia mais diminuir o rastro de sangue que escorre de nosso passado de carnificina étnica e insiste em manchar nosso futuro.

Uma coisa deve ficar clara na história da sociedade brasileira, quem existia aqui, a pertença deste território era compartilhada entre os autóctones nacionais, que cá viviam dentro de um regime de comunhão com a natureza e consumo sustentável. Foram os estrangeiros que trouxeram pra dentro dessas terras a bala e a cerca, os grilhões e os sermões.

O tratado de Tordesilhas assinado pelos governos espanhóis e português que dividia o território nacional alienando-a do povo que nela vivia em beneficio de representantes dessas coroas, que se valeram da falta de munição das tribos para enterrarem cocares, histórias, línguas, saberes e todo uma série de valores culturais que não temos mais acesso e não mais teremos.

Quando foi declarada a independência do Brasil demos nosso primeiro passo na construção de uma nação, nos afirmamos donos do nosso território, aos poucos deveríamos ter nos miscigenado ao ponto de nos entendermos todos como brasileiros e nossas diversas cores, e nossas diversas fés e outras tantas idiossincrasias, mas não foi o que aconteceu, a polarização continuou e desde o primeiro negro se luta contra a escravidão e os prejuízos físicos e morais do preconceito étnico.

E com o povo Indígena o que se viu foi uma tutela do Estado que mais impõe cerceamento de autonomia que uma mediação para a reparação necessária. Do mesmo jeito que o povo negro e seus descendentes precisaram de uma reparação que viabilizasse acesso, permanência e dignidade para a população negra em escolas, empresas, e em outros diversos espaços publico e de representação, também se faz necessária uma reparação indígena, que devolva a dignidade extorquida e vilipendiada do povo que aqui vivia, por um poder que não reconhecia o estrangeiro como semelhante.

É preciso por fim a barbárie de mais de 500 anos, não há dúvidas, o território é e sempre deve ter sido índio, é devolver parte da terra, isso é manutenção da vida e é o respeito a cidadania, é colaboração com a preservação da natureza e devia estar nos pacotes de medidas de preservação, menos pasto e mais floresta, menos terra de um dono só e mais devolução de terra coletiva, menos mortes silenciadas pelas mídias e mais visibilidade ao extermínio contínuo da população indígena, essa terra é de todos nós, mas não era nossa não, lhe herdamos de ladrões,  somos em maior ou menor medida todos  descendentes desses ladrões violentos, precisamos não repetir os erros dos nossos antepassados, precisamos não sofrer por regras do passado, precisamos tirar essas manchas da nossa constituição.

Falta nesse país uma reforma agrária séria, que faça valer os interesses daqueles que não tem onde viver nem o que plantar, daqueles para quem a terra é o meio de vida, não o meio do lucro, não vamos nos tornar uma sociedade socialista e com equidade de direitos do dia pra noite, precisamos rever nossas leis, desmistificar obscuridades, rever morais equivocadas e reescrever nossa história com discernimento, com humanidade , com justiça e fraternidade, e decidir cada vez mais em favor da vida e das boas transformações.

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A Autora.

A Autora.
Andrezza Almeida