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domingo, 27 de maio de 2012

Sentidos

Olhe o sol lá fora
ele não sabe por que brilha
Olhe pra nós estamos aqui e não sabemos por que
mas é preciso brilhar, é preciso renascer todo dia
é o nosso calor que acalenta o sonho
é da nossa certeza que vale a pena querer que vibra a alma
podiamos crer que somos uma luz que se apaga
mas toda imaginação é memória do todo tempo do existir
e de pó magnético nos tornamos eternidade
do sempre existir do pensamento experimentamos amar
amar desde nascer, amar o que não vemos ou tocamos
e que importa mais que o que sentimos
que fortuna de um rei compra a felicidade que ele não sente
que diamantes do mundo valem perder a alegria de ser
gente é luz e gente é toque
vale toda a metafísica do universo um beijo apaixonado
de linguas que se encontram eternas no trecho vida dos nossos corpos
um copo de agua pra sede
um abraço pra um dia ruim
um beijo esperado no tempo
detalhes do sentir
mesmo que não houvesse um sentido
mesmo que fosse tudo obra de uma matemática fria e universal
vale o sentir, vale o querer , vale aprender e ensinar
vale essa ficção que a gente controi todo dia
e podem ser boas ou ruins as imediatisses de agora
mas nunca sabemos quanto tempo cabe em nós
mas sempre é tempo de reinventar o dia, de reinventar o tempo
sempre é tempo de criar alguma coisa nesse universo que somos nós
nesse fragmento de infinito que nos cabe
há universos inteiros engavetados na poeira das tristezas
outros adormecidos em camas de hospitais ou
na frieza do abandono das ruas
tudo exige transcendencia
o pior egoísmo é lastimar repleto de potência
e nada é mais tolo que querer que o tempo volte
a vida é o segundo seguinte
o instante que precede a obra
o segundo que contem o extase
é preciso caber em nós a imensidão do todo
e a delicadeza do detalhe que nós mostra a vida
e deixar fluir de nós o que for bom
e fazer tudo de novo e começar se amando
quando nosencontramos com nosso deus intimo
e quando experimentamos o poder de imaginar e fazer
e quando tudo acaba e é preciso recomeçar
ai é preciso transcender o detalhe e ser imenso
é preciso olhar-se por dentro até encontrar o nosso proprio dom
e as vezes passeamos mil afetos sem amor
até que nos venham filhos, até que nos beijem a alma
até que a gente se redescubra criança
tudo vibra todo o universo cabe no coração
de portas abertas.

quinta-feira, 17 de maio de 2012




domingo, 2 de janeiro de 2011

Sobre um novo modelo de educação para o País.

por: Andrezza Almeida.











atual conjuntura da educação no país nos permite algumas
análises a cerca da necessidade de uma série de  mudança , que nos possibilite alcançar os avanços necessários para uma educação que dê conta, de fato, das demandas sociais existentes .


 Tem havido, por parte do governo federal, um grande investimento em educação . o que sempre foi uma pauta da esquerda e dos movimentos sociais, sabemos que antes de deixarem o governo os tucanos sucatearam o modelo de educação média no sistema público de ensino e injetaram novos recursos no setor privado.



 Em paralelo á isso os movimentos sociais passaram a ter reivindicações mais efetivas no que diz respeito ao acesso e permanência de pessoas oriundas das classes e grupos sociais em situação de vulnerabilidade social e com os quais o estado tem
débitos histórico.



 A organização dos movimentos sociais , mais particularmente o movimento negro, resultou na necessidade de que o debate sobre quem, entra na universidade e pra quem é a universidade pública se acirrou e o resultado disso foi a vitória dos movimentos pró-cotas.



 Essa primeira vitória no entanto não resolve o grande problema do qual este faz parte, que é : Para quem é a Universidade pública?  um acirramento deste debate e uma ação mais incisiva dos movimentos sociais pode conduzir-nos ao entendimento de que a
universidade pública , necessariamente, deve ser para quem não pode
pagar por ela.



 Com essa lógica ficamos com dois outros problemas.  uma vez interiorizado o entendimento de que a universidade pública deve estar a serviço da maior parte da população- que não pode pagar por ensino- resta encontrar :



 a) Maneiras de melhora no ensino médio para abrir a alternativa de
passar no vestibular para os estudantes de escola pública



 b)Processos Seletivos com ênfase em origem e realidade social de
cada inscrito



 c) Políticas de permanência, voltadas para a inserção no mercado
de trabalho específico da profissão, com investimento em estágios e
caminhando para uma adequação do modelo de ações afirmativas para
uma universidade voltada para atender a população.




 A situação na qual nos encontramos é favorável, estamos diante de uma volumosa quantia, há tempos esperada, que será destinada para educação e mais do que isso diante da possibilidade de uma reflexão ativa e transformadora sobre o atual modelo educacional no Brasil.
 Construir um novo projeto de universidade no qual possamos inserir as pautas históricas do movimento estudantil e mais os sonhos pedagógicos de comprometidos educadores é tudo que quem se preocupa com educação sempre sonhou.



 Evidente que em face dessa possibilidade levantaram-se duas
frentes.



 I- Antes que piscássemos os olhos chegaram os tecnicistas, estes
muito preocupados com as adaptações tecnológicas , com a produção de
mão-de-obra qualificada para novas tecnologias e com a criação de
novos campos de trabalho que viabilizem esta criação de novas áreas
do conhecimento voltadas para o futuro, ou seja , para estes, a
tecnologia e o mundo "globalizado."



 Contemplados com estas políticas estão as escolas com vertentes mais técnicas , como não poderia deixar de ser. e aqueles que acreditam que é preciso criar um novo mundo voltado para o avanço econômico através de modelos de inserção no grande capital que
perpasse por dar conta de atender as demandas tecnológicas mundiais.



 II- Do outro lado,  encontram-se os Humanistas, estes tem como
principio de educação que ela esteja voltada para uma melhora do ser
humano e para seu posicionamento crítico dele diante do mundo e de
sua profissão , com uma formação voltada para as demandas da
realidade que não sejam somente relacionadas ao exercício da própria
profissão , mas também da cidadania e da construção de uma sociedade
mais justa e igualitária com capacidade de dar conta da diversidade
de fatores que existem.



 Defendem mais apaixonadamente esta vertente escolas mais comprometidas com o avanço não apenas técnico mais intelectual das áreas do conhecimento e aquelas escolas que formam profissionais que se relacionam mais com as espécies humanas do que com as espécies mecânicas.




 O que urge tornar-se fato é uma avaliação criteriosa dessas duas correntes e em frente a essa possibilidade de alteração do modelo educacional dar conta dos avanços necessários para ambas as vertentes, criar um projeto de universidade pública voltada para a cidadania e com capacidade de estar de acordo com os avanços técnico-
científicos .


Os investimentos para um novo equipamento para o ensino público foram feitos, agora necessitamos de uma reformulação filosófica do modelo nacional de ensino.

Penso que esse modelo de ensino que buscamos deve ater-se particularmente aos moldes da alfabetização, e isso já foi dito por todos os grandes mestres da pedagogia.

A essência do processo de aprendizado e conseqüentemente da evolução gradual da capacidade cognitiva, passa por um prazer de aprender, a grande reflexão filosófica sobre educação, sempre me pareceu ser de que é preciso fazer as pessoas terem prazer em aprender, que lhes chegue até as mãos a possibilidade de ser agentes na sua própria história , existe muito determinismo na forma como a educação é distribuída , entre a escola pública e a escola privada, ou aquela para quem pode pagar, é abismal e absolutamente injusta.

O sentido do projeto que tem que ser pensado para educação neste país deve levar em consideração as particularidades das regiões geográficas, dos costumes e fazer com que a educação seja uma coisa almejada e cobrada, lutar por educação é lutar por liberdade.

é lutar pelos menores abandonados, pelas meninas prostituídas, pelos drogados, por todas as pessoas que não conseguiram alcançar os direitos a cidadania e dignidade, é preciso dar conta dos índices da exclusão nesse país.  Investir em educação é a única forma de fazer isso.

E o que parece urgente?

Um modelo de reestruturação pedagógico pra FEBEM, por exemplo  um modelo que dê conta da formação das personalidades para a sensibilização do ser humano ao conhecimento. para a capacidade de ser sensível.

por que a realidade dessas pessoas é duríssima, gera níveis de insensibilização tão agudos que pouco importam as sintaxes de exceção, ou as funções logarítmicas.

E o mais incrível, ou o mais formidável (consulte) é que é perceptível para qualquer pessoa que se preocupe com os rumos da educação e conseqüentemente com a mudança dos padrões sociais , que o problema desse país é de falta de educação.

Eu acredito que é preciso dar português em poesia, matemática em música, um modelo de educação não voltado para as metas , mas para as metáforas.

imagine ... criar pessoas capazes de entender as nuanças subliminares , as formas sutis e as múltiplas possibilidades.

Falta pedagogia, mas não aquela pedagogia de boletins , aquela de experiências, de descobertas , que quer extrair algo de onde parecia impossível que qualquer coisa fosse semeada.

falta Paixão neste mundo, falta uma vontade de que as coisas sejam melhores que mova corações e mentes! há um constante processo de insensibilização que coloca para escanteio questões como fome ou caderno e prefere fazer negócios com coisas grandes.

O Poder sem Paixão, se amarga, perde o viço, definha e envelhece...é preciso essa paixão, é preciso esse sentimento de você para com o mundo de que as coisas vão poder ser transformadas de que é possível um modelo de sociedade mais justo , por que é!


Mas a batalha é dura, por que é uma luta contra a ordem, contra as estruturas tudo aquilo que foi consolidado por cima do acúmulo dos fatos históricos.

então é um processo de destruição da paz alheia, a paz é resultado da guerra, por que é pela nossa paz que estabelecemos o conflito, a paz dos que acreditam na mudança do mundo , que acreditam na transformação e mais do que isso que tentam tomar  parte dela.

que sentem pulsar em si a essência de um ser humano, que desejam ardorosamente que as coisas aconteçam e que elas sejam boas. mas há muita maldade neste mundo, há muita gente capaz das maiores tiranias por conta do modelo insensível no qual estamos inseridos.


É preciso um modelo de educação que leve em consideração o papel da arte na formação das pessoas, que toque em possibilidades de sentimentos e composições que estimule o ser humano a criatividade por que se tem algo que não tem tamanho é criatividade, ela transcende perpassa , domina , elabora, executa e mais do que tudo surpreende e sempre surpreenderá, por que o que há de mais fantástico é fazer alguma coisa que nunca existiu.

Quer combater a pobreza a violência e a miserabilidade, amplia e reestrutura o modelo educacional, ai sim tudo vai ser diferente.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Em obras...

Em obras até o natal...

sábado, 18 de dezembro de 2010

Brasília um passeio pela nave.


Série Obsession Trip.
Brasília, passeio de nave espacial. 
Texto e Imagens 
Andrezza Almeida



Vista aérea do nada que antecede a chegada


Quando a gente vai chegando em Brasília, nem parece, ela é um susto, vem o serrado verde queimado dos círculos extraordinários das plantações, tudo parece um cenário de ficção. De repente as piscinas, o inesperado lago e a geometria familiar do plano piloto vai se descortinando verde e branca, Brasília não é de esquerda, nem de direita, ela está milimetricamente situada no centro do centro-oeste, é fruto de um plano que levou muitos anos pra sair do papel, provavelmente esperando a imaginação espacial do sagitariano centenário e ainda comunista Oscar Niemayer.

É possível encontrar muitas entrevistas com o famoso arquiteto suas explicações sobre a obra são convincentes e fazem a gente sentir que era aquilo mesmo que se estava pensando, que é tudo igual pra diminuir a sensação da diferença social, as quadras parecem, as ruas se assemelham e tudo é distribuído numa equivalência que faz pensar numa arquitetura de comuna.

Leva um tempo pra entender os códigos de letras e números, pra compreender a dinâmica das asas, zonas e setores, passei semanas em Brasília ciceroneada pelo  amigo Adelmo, que logo no primeiro dia me mostrou o mapa da cidade e disse que se prestasse bem atenção eu iria conseguir me movimentar com rapidez, isso nunca aconteceu, tem um metrô em Brasília que eu nunca vi, mas dei grandes andadas pelos parques,  pelo eixão e o eixinho. No mapa Brasília  é uma libélula, é um avião, é uma espada  e é uma nave espacial.

Imagem: Reprodução.

Talvez por que a gente sempre a vê  na TV ela entra fácil no peito, não demora vem uma familiaridade, o céu, as flores, o inusitado das diferentes aves, o lago que parece que nasceu ali.  Tem muita coisa pra admirar  e é sempre um treino para o olhar não se perder, são detalhes tão pequenos de lugares tão iguais.

As flores são um capítulo a parte, estão espalhadas pela cidade inteira que comemora o fenômeno da florada dos flamboyants  de diferentes tons que cobrem o chão de tapetes coloridos. Há uma enorme variedade de belas flores, arvores e arbustos brotando no meio do asfalto dando mais graças às concretudes da capital.

Em junho, quando estive lá, faz calor ao sol e um friozinho na sombra, de noite, faz frio e andar pelos parques é tão agradável que a gente perde a hora, entre arquiteturas e o exotismo da fauna e da flora, terra de pequenos oásis a capital não é um lugar bom para se fumar, por toda a parte há brigadistas que cuidam para que a inflamável cidade não pegue fogo.


 Brasília pra se morar.

Parece  um bom lugar para se criar os filhos, tem muitos parques e brinquedos, boas escolas, muitas creches,  as ruas são largas e planas , dá pra andar de bicicleta, skate, patins, jogar bola e praticar outros esportes.

É também uma cidade com grande acessibilidade, com facilidade para a locomoção de cadeirantes e de pessoas com restrições de mobilidade, sinais eletronicos e muito braile. 

Há algumas noticias sobre violência, como estive restrita ao plano piloto quase não pude percebê-la, os jornais  tratam da efervescência política das esquinas e quando estive lá da inusitada greve de rodoviários que durou uma semana e alguns dias.

Brasília é  uma cidade muito cara, as pessoas dizem que morar nas cidades satélites e trabalhar no plano piloto é mais em conta,  realmente tudo é muito caro, do pãozinho a cerveja.  
Não havendo muitas alternativas no plano de feiras e outros lugares para se economizar, lá se traduzem contrastes, é uma cidade cheia de ruas vazias, é possível se andar muito e encontrar duas ou três pessoas, o clima desértico prevalece, o que se movimenta são as máquinas e pelas ruas enormes, escorrem o dia todo carros de todos os modelos, placas e poderes.

O transporte público é bom e o coração da cidade é a rodoviária, um dos poucos lugares de grande movimentação de pessoas, negócios e interesses que funciona quase o tempo todo, é um dos lugares onde se pode encontrar artistas de rua, mendigos, hippies, artesãos, prostitutas e outras pessoas que ficam um pouco sem lugar na imensidão das ruas esvaziadas, além disso também é onde se pode encontrar coisas á preços mais populares.

Mesmo com todo planejamento as  18:30 um enorme engarrafamento toma conta do plano e a sensação de nave espacial aumenta.  Bonito de ver que até engarrafamento em Brasília é arquitetonicamente fascinante.

 Parque da Asa Norte, atrás os prédios de pilotis. 
                             .                    


Desvendando o Plano
Existem duas coisas que precisam ser imediatamente compreendidas quando se chega a Brasília, que tal como uma máquina ela tem dois eixos e está proporcionalmente distribuída em dois lados iguais , as asas norte e sul são separadas pelo Eixo monumental, que vai de oeste a leste, da rodoferroviaria até a praça dos três poderes , são seis faixas de tráfego, larguíssimas. o outro eixo é o eixo rodoviário, conhecido na cidade como o eixão ele cruza as asas e faz voltar pra casa quem mora no plano e nas cidades satélites..

Eixão.


Brasília é dividida em setores, quadras e zonas. Os setores congregam interesses, setor de clubes, setor hoteleiro, o primeiro projeto da cidade foi feito pelo arquiteto Lucio Costa, que venceu o concurso feito pelo .então presidente Juscelino Kubitschek, a vitoria do plano é explicada em algumas literaturas como sendo fruto da percepção do arquiteto de que a cidade deveria ser zoneada com a mencionada concentração de funções.
A nomeação das ruas obedece aos pontos cardeais tendo como referencia o cruzamento entre o eixão e o eixo monumental, são letras e números que assustam nos primeiros momentos, mas que depois de algumas explicações mostram-se totalmente racionais


Niemayer entra na história de Brasília como o chefe do departamento de urbanismo e arquitetura da empresa que construiu Brasília, sendo tão forte sua interferência no plano original que são predominantemente seus os louros dedicados a construção da cidade e o seu planejamento.










As superquadras norte e sul, são os lugares que abrigam os complexos residenciais no entorno do lago Paranoá, também obedecem a lógica dos pontos cardeais sendo os prédios nomeados por letras e números, separando cada quadra, áreas verdes, parques e praças. Dentro destas existem lotes comerciais onde ficam padarias, mercados, farmácias e as redes de serviços.
O ponto mais marcante na arquitetura dos prédios são os pilotis, enormes alicerces, usados para tornar os prédios construções suspensas que possibilitam cruzar toda uma superquadra por debaixo dos edifícios e contribuem ainda para uma maior ventilação da cidade, o que é algo preocupante numa cidade construída em meio a aridez do serrado.

Os setores são grandes conglomerados funcionalmente distribuídos, setor de escolas, bancos, hotéis, comercial norte e sul, setor de diversão e assim vai Brasília e toda a gente que mora por lá.


Raízes e Antenas.

A explanada dos ministério é uma coisa linda de se ver, aqueles prédios enormes, naquele formato um atrás do outro que dá ma vontade infantil de derruba-los como se fossem dominó, depois quando a praça dos tres poderes vem se aproximando voce olha pra tras e tem a impresão não mais dos dominós mas ao caminho que vai conduzir para o centro norvoso da nave , e eu penso no fofo do comandante Lula resolvendo alguma coisa uito importante por ali.

Brasília também dá uma segurança intergalática de que se o país for invadido por alienígenas mal intensionados, a cidade vai dár uma tremidinha, e bater as duas asas. acho que em algum lugar lá se esconde esse mecanismo de voo, não encontrei.


Em Brasília é difícil resistir a certo patriotismo, o verde amarelo está presente, o planalto tá ali, a bandeira trêmula em muitas esquinas e você pode sentir o poder pulsando em algum lugar ali perto, sempre haverá que condene a cidade com base nas suas decepções políticas, ela segue quase indiferente, é difícil parar Brasília, fechar suas ruas largas exige muita preparação, sua mistura de falas, jeitos e costumes a tornam uma Cosmópolis caçula, nova e familiar.


                             
 área da rodoviária.                     

No eixo monumental no meio de setor de hotéis uma torre antena que abriga de baixo de si uma feira, verdadeira babel nacional, onde os mais diferentes costumes vão se encontrar e você pode comer pão de queijo e tomar  depois um tacacá na barraca do lado.delícias de uma cidade feita pra o povo se mudar pra lá,  Uma jovem de 50 anos  e a nação se encontra lá, nos botecos, nos sambas e chorinhos, nas casas subterrâneas, ou grandes teatros.
As primeiras explorações do território com a finalidade de encontrar um lugar para construir uma cidade foram feitas em 1893, pelo astrônomo capricorniano Luis Cruls, isso é um dado interessante sobre a cidade, além de justificar a sensação de um céu mais baixo, mais azul e mais infinito, também deve explicar uma aura astral que envolve Brasília e seus arredores, a cidade tem uma coisa de mística em meio ao seu zelo pela funcionalidade  a gente sente algo no céu e no barro vermelho que ainda escorre por debaixo das placas de asfalto. Quando você já passou muitos dias e pensa que não tem mais nada que vá te surpreender o azul do céu vai ficando rosa, amarelo, lilás,  turquesa... e uma explosão de cores toma conta do céu e você pensa que a bela Brasília mais esconde do que mostra, e dá vontade de ficar, e dá vontade de voltar.







Como toda cidade grande , BSB não é só belezas, a pobreza em Brasília é mais pobre, o calor é maior, os mendigos não são bem quistos, o crack invade lentamente o centro, os jovens organizam-se em gangs e as dimensões tornam Brasília um péssimo lugar para andarilhos, faltaram uns bebedouros e mais banheiros públicos.




Rodoviária de Brasília
Um belo lugar para se divertir é a concha acústica da cidade, uma construção na margem do Paranoá, minha estada em Brasília foi desencadeada pela feira do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que acontecia lá, o chão de barro vermelho, o lago e a aridez viva dão um sentimento de festa numa marte já povoada, é bonito de se ver festa em lugar de reunião. 
 Além disso, é também bom de apreciar a multiplidade das expressões que compõe Brasília congregadas dentro do mesmo espaço com o nome de Brasil Rural e Contemporâneo, mas isso é uma história pra outro dia.
Por hora cabe dizer que em Brasília você se sente mais brasileiro seja por que todo mundo se encontra lá, seja por que o poder emana de lá e a bandeira nacional tremula verde e linda ou porque a miséria e a beleza estão juntas  ali e você se pergunta se isso faz parte do plano.#



                       

Belém: Cidade Morena.


Série Obsession Trip.
Belém Metrópole da Amazônia.
Texto e Imagens: Andrezza Almeida.

Belém é quente, úmida, tem cheiros e sabores em todas as esquinas, é verde das mangueiras espalhadas pelas ruas.
Os caminhos que levam até a bela cidade podem ser o céu, o mar ou o rio, todos belos, cheios de um exotismo que Amazônia tem mesmo para quem nela vive a vida toda, sempre haverá uma surpresa no caminho, sempre algo que assusta, impressiona e encanta.

Castanha-do-Pará.



Quem vai de Avião consegue ver a multidão de águas e florestas e uma cidade verde e luminosa aparece depois de muito tempo de sobrevôo sobre o verde tapete de mato da floresta. Quem vai de barco sente-se num daqueles documentários aonde as casas ribeirinhas vão passando, os braços de rio, a vegetação fechada, surpresas de bichos, botos, cobras.




Quem chega de ônibus desembarca na rodoviária que fica situada no bairro de são Brás, bairro conhecido por ter a primeira caixa d´agua da cidade,  pelo inconfundível museu Magalhães Barata que tem o formato de um  chapéu e o mercado de São Brás, grande construção da primeira década do século XX.
Da porta da rodoviária á direita fica a Avenida Almirante Barroso a maior avenida da cidade caminho de entrada e saída da capital paraense, onde estão localizados escolas, clubes, quartéis, comércios, casas, órgãos públicos e o imperdível Bosque Rodrigues Alves, enorme zona de proteção ambiental bem no centro nervoso de Belém.



Não importa que motivos te levam a capital paraense, tem coisas que não se pode deixar de fazer e principalmente coisas que não se pode deixar de comer, comer em Belém é uma instituição, um hábito, um tipo de comunhão com o mundo, por todos os lados na cidade se encontram gostosuras tão baratas que é muito difícil manter uma dieta ou mesmo não engordar uns bons quilinhos depois de uma visita a cidade Morena, são tantas frutas, plantas, doces, salgados, carnes e ervas que as misturas são incontáveis e comer torna-se uma grande aventura de sensações. Tacacá, pato no tucupi, pupunha, creme de muruci, biribá, taperebá, salaminho de cupuaçu, Tamuatá com Jambu são só algumas das milhares de receitas que fazem qualquer visitante entregarem-se de olhos fechados para a exuberância dos sabores da cidade que recebe seus turistas com a informação de que a chuva virá lá pelas quatro e que se chover, nos vemos depois da chuva.

Belém é colorida, muito verde, cheia de cheiros dos matos, dos peixes, das belas mulheres e seus famosos exageros de perfume, é uma cidade fácil de sobreviver, tem ciclovias, muita sombra e um sistema de escoamento que vem melhorando muito nos últimos anos impedindo que a cidade afunde diante da quantidade de água que cai durante todo o ano, é uma cidade nublada o céu está sempre cheio de nuvens e com promessas de chuva.

vista da baía do Guajará.
Dos lugares que não se pode deixar de ir e coisas que não se pode deixar de ver, estão o museu Emílio Goeldi, O Bosque Rodrigues Alves, a Basílica de Nazaré e o impressionante Ver-o-Peso.

O Museu Emilio Goeldi é um núcleo de pesquisa e preservação ambiental, foco de propagação dos estudos sobre a biodiversidade e a cultura dos povos da Amazônia, o museu foi fundado em 1871 e se chama Museu Paraense, em 1893 o suíço Émil August Goeldi famoso naturalista foi demitido do museu nacional por questões políticas e logo em seguida convidado pelo então governador Lauro Sodré para iniciar o movimento de coleta de dados e coleções que tornariam o museu o centro de referencia da cultura amazônica com a publicação de literaturas de referencia internacional, é excelente lugar para se passear, com viveiros de cobra, orquidário, jacarés, muitos macacos, pássaros e uma imensidão de outros bichos, plantas e flores, além das já mencionadas gostosuras espalhadas pelos quiosques, Como quase tudo em Belém o ingresso é superbarato e criança até 8 anos não paga.
Mapa do Goeldi. crédito: reprodução. 

A diferença entre o Museu e o Bosque, que leva o nome de um carioca que foi presidente da república é que este segundo tem sua ênfase maior na preservação de um pequeno pedaço de mata nativa original com predominância de animais livres como pássaros e roedores como a paca e a cutia, existindo animais enjaulados em pequena quantidade e uma maior disponibilização de áreas de lazer, com castelos de pedra , parques, passeio de canoa e quiosques, além de também contar com  orquidário e aquário. O bosque como sempre foi conhecido agora se chama Jardim Botânico, é um lugar excelente para se namorar e passear nas tardes quentes, se você for criança ainda pode se refrescar nas fontes dentro dos pequenos castelos de pedra espalhados por todos os lados ocupa 150 mil metros quadrados de área e é inspirado no parque francês Bois de Bologne, também tem ingressos muito baratos ou gratuitos dependendo do dia da semana.

Vista áerea do Rodrigues Alves. (Reprodução)

A maior tradição do povo paraense é o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, o primeiro círio aconteceu em 1793, sendo portanto a tradição bicentenária, a Imagem que deu origem a devoção foi encontrada por um pescador em cima de um tronco de arvore no meio da floresta, sendo levada pra casa, na manhã seguinte o pescador e sua familia constataram que a imagem havia sumido, sendo novamente encontrada no mesmo local, o milagre se repetiu ainda duas vezes, e neste local foi contruída a primeira igreja onde hoje fica a Basílica e o Bairro de Nazaré.

Chegada da procissão na basílica.
foto de Taty Lima.





Nossa Senhora de Nazaré resolve qualquer tipo de problema, isso é possivel de ser constatado durante o cirio que ocorre no segundo domingo de outubro, mas as preparações demoram muito, são os patos que são engordados durante um ano, depois transportados pelos parentes vindos do interior junto com outros ingredientes para serem vendidos nas feiras e mercados ou servirão para presentear os parentes que oferecem estadia e o tradicional almoço.

Garrafas do Tucupi, que é extraído da mandioca 
e é um dos principais ingredientes tanto para o pato
quanto para o peixe e o Tacacá, é servido comumente 
com jambu, uma planta com propriedades anestésicas.
O círio é carnaval, é natal é a maior festa do povo paraense, em muitos lares católicos novenas antecedem o período de 15 dias da festa que é marcada pela transladação que leva a santa para a cidade de Icoaraci e depois retorna em procissão fluvial desembarcando no ver-o-peso, o ápice da celebração ocorre no segundo domingo de outubro onde ocorre a procissão que leva a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré do colégio Gentil Bitencourtt até a Basílica, tendo em média um público de 2 milhões de fiéis que vão pagar suas promessas ou pedir bençãos a santa padroeira.

A cidade toda respira o círio e imagens brotam em toda a aparte de vários tamanhos , além da reprodução da santa em todos os tipos de produtos, camisetas, canecos, chaveiros etc..
O Arraial entorno da Basílica fica armado durante 15 dias nos quais a imagem fica disponivel para visitação no santuário do CAN- Complexo arquitetônico de Nazaré.


A procissão é marcada pela infinidade de formas de pagamento de promessas, são partes do corpo feitas de cera, tijolos, eletrodomésticos  e outras diferentes coisas caregadas pelos romeiro durante todo o trajeto, para os pagadores de promessas mais resistentes tem a corda que antecede o andor da santa, é preciso tirar os sapatos que são proibidos em todo o entorno da corda e chegar bem cedo para garantir um lugar na corda quando ela ainda está no chão. Há quem prometa ir na corda e os outros pagadores de promessas que distribuem água para os cordeiros.


Potes, tipitis, matapis, rasas, peneiras e esteiras. artigos
comumente trazidos de outras cidades para vender no ver-o-peso
nesta foto os artigos no porto da cidade de Igarapé-Miri
para serem embarcados,

É uma festa linda e emocionante marcada por fé, música, devoção e reafirmação dos laços familiares. Depois que a santa chega na basílica é hora de voltar pra casa e celebrar a presença de amigos e familiares que muitas vezes só são vistos nessa época, um bom paraense mesmo distante lembra do círio, ou mesmo volta para a cidade para presenciar a festa da santinha.
Paneiro de Açaí.



Uma das maiores homenagens que a santa recebe é a do sindicato dos estivadores que ocorre nas imediações do Ver-o-Peso que é a maior feira livre da América Latina, a feira que existe desde 1625 e recebeu este nome por que lá ficavam as casas de pesagem de mercadorias e os marreteiros e pescadores iam até a feira para ver o peso das suas cargas. Fica localizada na margem da Baía do Guajará, é composta por um porto que funciona durante 24 horas num eterno embarcar e desembarcar de aviamentos, animais e pessoas.
Aqui o pirarucu, peixe muito vendido 
para ser consumido junto com o açaí
é o bacalhau da Amazônia. 
O Ibama está sempre presente para fiscalizar as vendas irregulares de animais vivos ameaçados de extinção ou carnes proíbidas como a do bastante procurado jacaré  , a feira é dividida por setores, mas isso é uma consfiguração recente derivada da reforma feita naquela área no ano 2000, qua alem de dar nova cara ao antiga feira mal distribuída e mal iluminada, ainda reformou alguns dos galpões da doca, criando dois novos pontos turísticos , a estação das docas e o praça ver-o-rio atuais pontos turisticos da cidade.









Típicas embarcações para transporte de pessoas e mercadorias. 

Estação das Docas.
No ver-o-peso é possivel comer todas as frutas e comidas típicas, comprar artigos de viajem, pesca, caça, artesanatos e tudo que se pode precisar para viagens longas ou para um bom almoço paraense que é cotidianamente composto pelo ouro negro da amazônia o açaí com farinha, que na feira é vendido junto com postas de peixe e outras carnes como charque e caças.
Passáros vendidos no Ver-o-peso

Casa de folhas.


Lá também podem ser comprados remédios naturais para os mais diversos tipos de males além de casa de ervas que prometem trazer seu amor de volta, afastar mal olhado e ainda vendem o famossissimo chama da amazônia complexo perfume feito de ervas e raízes que atraem o sexo oposto, um dos hábitos mágicos muito repetido em Belém é trazer consigo um patuá feito do sexo do boto para os homens e da bota para as mulheres que garantem que sempre se tenha um romance á vista.






Algumas crianças quando nascem tomam banho na água onde ferve esse estranho elemento já perseguido pelo controle ambiental, isso garante que a criança terá uma vida amorosa intensa o que é uma coisa muito importante para o fogoso povo paraense.
Sendo assim no ver-o-peso você pode comprar uma mochila ou uma mandinga, seja o que for que você está procurando encontrará por lá com um precinho camarada e possivel de ser pechinchado com a mágica frase – Égua, mas tá muito caro!



Concha acustica do Hangar, onde estava acontecendo a Feira do Livro, na foto montagem do som para o show de Lenine. 
Belém é uma cidade de mulheres bonitas, de putas baratas, onde o luxuoso e o roots estão muito proximos, é uma terra de gente desconfiada de coração grande e de uma fé notável, tem sido muito assolada pela violência urbana fruto da formação de gangs e da grande desigualdade entre os muito ricos e os muito pobres que é absurdamente grande naquelas bandas.
É sempre bom se informar sobre os lugares onde se está com o risco de haver um perigo eminente naquela área.

Além da infinidade de cores, texturas e sabores a musicalidade da região também é marcante, o carimbó e o tecnobrega dividem espaço nas naves dos DJ´s das aparelhagens que estão em toda a parte, tem fã clubes e seguidores que acompanham as festas. O Brega música que originalmente teve inspiraçãono brega tradicional que depois se misturou com ritmos caribenhos como o Calipso, e em outras formas mais tradicionais como o siriá, as gitarradas e outros ritmos regionais, é muito marcado pelo uso de sintetizadores, pelo comercio alternativo de CD e DVD e por ser dançado em dupla o que aumenta a chance de funcionamento dos perfumes do ver-o-peso, as festas ocorrem por toda a cidade, nas casa de show ou nas arenas de festa.


vista da Nave da Aparelhagem Tupinambá.
foto:Dorigatti, 


Tem uma paisagem urbana mista que vai da clássica arquitetura dos aureos tempos da borracha até a modernidade dos prédios e espaços como é o caso do centro de convenções Hangar, um antigo espaço da aeronautica reservado para receber shows e eventos como a feira do livro que ocorre em setembro, pode-se também passear por bairros inteiros sobre palafitas,  Belém é um excelente local para a compra de eletro-eletronicos vindos diretamente da zona franca de Manaus. Por lá as pessoas tem celulares ótimos e existem pontos de internet espalhados por toda a cidade.

O tradicional e o moderno, o urbano e o selvagem tudo isso se encontra ali na cidade penísula onde o grande povo Tubinambá reinou até a chegada das missões portuguesas.
Como diz o mestre Pinduca Quem vai ao Pará parou, tomou açaí, ficou!

 

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