sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Um novo modelo de educação.

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A crise do Modelo Educacional

A atual conjuntura da educação no país nos permite algumas análises a cerca da necessidade de mudança nos formatos da educação pública que nos possibilite alcançar os avanços necessários para uma educação que dê conta, de fato, das demandas sociais existentes . 

Tem havido, por parte do governo federal, um grande investimento em educação o que sempre foi uma pauta da esquerda e dos movimentos sociais, sabemos que antes de deixarem o governo os Tucanos sucatearam o modelo de educação média no sistema público de ensino e injetaram novos recursos no setor privado. Em paralelo á isso os movimentos sociais passaram a ter reivindicações mais efetivas no que diz respeito ao acesso e permanência de pessoas oriundas das classes e grupos sociais em situação de vulnerabilidade social e com os quais o estado tem débitos histórico. 
A organização dos movimentos sociais , mais particularmente o movimento negro, resultou na necessidade de que o debate sobre quem, entra na universidade e pra quem é a universidade pública se acirrou e o resultado disso foi a vitória dos movimentos pró-cotas. Essa primeira vitória no entanto não resolve o grande problema do qual este faz parte, que é : Para quem é a Universidade pública? 
Um acirramento deste debate e uma ação mais incisiva dos movimentos sociais pode conduzir-nos ao entendimento de que a universidade pública , necessariamente, deve ser para quem não pode pagar por ela. Com essa lógica ficamos com dois outros problemas. uma vez interiorizado o entendimento de que a universidade pública deve estar a serviço da maior parte da população- que não pode pagar por ensino- resta encontrar : 

a) Maneiras de melhora no ensino médio para abrir a alternativa de passar no vestibular para os estudantes de escola pública 

b)Processos Seletivos com ênfase em origem e realidade social de cada inscrito 

c) Políticas de permanência, voltadas para a inserção no mercado de trabalho específico da profissão, com investimento em estágios e caminhando para uma adequação do modelo de ações afirmativas para uma universidade voltada para atender a população. A situação na qual nos encontramos é favorável, estamos diante de uma volumosa quantia, há tempos esperada, que será destinada para educação e mais do que isso diante da possibilidade de uma reflexão ativa e transformadora sobre o atual modelo educacional no Brasil. 

Construir um novo projeto de universidade no qual possamos inserir as pautas históricas do movimento estudantil e mais os sonhos pedagógicos de comprometidos educadores é tudo que quem se preocupa com educação sempre sonhou. Evidente que em face dessa possibilidade levantaram-se duas frentes.

 I- Antes que piscássemos os olhos chegaram os tecnicistas, estes muito preocupados com as adaptações tecnológicas , com a produção de mão-de-obra qualificada para novas tecnologias e com a criação de novos campos de trabalho que viabilizem esta criação de novas áreas do conhecimento voltadas para o futuro, ou seja , para estes, a tecnologia e o mundo “globalizado.” Contemplados com estas políticas estão as escolas com vertentes mais técnicas , como não poderia deixar de ser. e aqueles que acreditam que é preciso criar um novo mundo voltado para o avanço econômico através de modelos de inserção no grande capital que perpasse por dar conta de atender as demandas tecnológicas mundiais. 

II- Do outro lado,  encontram-se os Humanistas, estes tem como principio de educação que ela esteja voltada para uma melhora do ser humano e para seu posicionamento crítico dele diante do mundo e de sua profissão , com uma formação voltada para as demandas da realidade que não sejam somente relacionadas ao exercício da própria profissão , mas também da cidadania e da construção de uma sociedade mais justa e igualitária com capacidade de dar conta da diversidade de fatores que existem. Defendem mais apaixonadamente esta vertente escolas mais comprometidas com o avanço não apenas técnico mais intelectual das áreas do conhecimento e aquelas escolas que formam profissionais que se relacionam mais com as espécies humanas do que com as espécies mecânicas. 

O que urge tornar-se fato é uma avaliação criteriosa dessas duas correntes e em frente a essa possibilidade de alteração do modelo educacional dar conta dos avanços necessários para ambas as vertentes, criar um projeto de universidade pública voltada para a cidadania e com capacidade de estar de acordo com os avanços técnico- científicos . 
O problema , que transcende os portões da universidade e que mesmo assim está diretamente ligados à ela é a necessidade de uma ação efetiva do Estado em relação as escolas públicas de ensino médio e fundamental, precisamos , enquanto estudantes e demais militantes relacionados a educação iniciar o nosso pensamento no sentido de produzir não apenas um projeto de universidade , mas um projeto de educação pra este país e quanto antes começarmos a juntar mentes e nos debruçarmos sobre a construção desse modelo, mais consciente e contemporâneo, de educação, mais cedo estaremos conseguindo fazer com que as mudanças ocorram e os resultados favoráveis surjam.

Mulheres, Gays, Negros,Cientistas, Maconheiros …e a ficção da laicidade

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Mulheres, Gays, Negros,Cientistas, Maconheiros …e a ficção da laicidade

E a gente vai fumando que também sem um cigarro

ninguem segura esse rojão…

(Chico)





A sociedade brasileira, padece de um mal, um mal agouro, um mal olhado, um mal estar, não sei… mas é uma espécie de devaneio coletivo alimentado pelos meios de comunicação,reprodutores dos interesses mais conservadores, que insistem em vender não somente os padrões de beleza impostos pelas industrias de roupas, cosméticos , fitness e outras coisas desse gênero, mas também em estipular padrões de normalidade que , infelizmente, passam pela ficção do real e pela negação de uma série de fatos impostos, se não pelas regras previstas numa sociedade, pela repetição em larga escala de hábitos , costumes, comportamentos e outras manifestações do ser em coletividade e enquanto individuo, que denominamos cultura.
Quem faz movimento social, quem tem um segmento no qual milita, seja sem terra, mulher, gay, negro, cientista ou  maconheiro  , sabe que tipos de barreiras tem enfrentado junto ao Estado pra fazer valer, não valores individuais e manifestações idiossincráticas, mas  problemas que geram aquilo que Castel chama de Vulnerabilidade de Massa, se colocamos na balança as pautas de opressões, os tabus e os assuntos por resolver, como existem nas reivindicações de todo movimento social, percebemos que o problema é mais coletivo do que supomos quando estamos com a visão voltada para o essencialismo de nossas pautas.
Evidente que parcela significativa de nós já compreendeu a importância dessa mistura, dessas ´pautas conjutas` , dessa construção cada vez mais coletiva que arranca nossos olhos dos umbigos de nossas reivindicações e possibilitam vislumbrar o universo de semelhanças que existem entre diversos pontos.
Formando assim cidadãos integrais, conscientes de seus direitos e dos direitos alheios e não somente dos seus deveres como tem sido a história da luta de classes e das opressões ideológicas burguesas e hegemônicas.
Logo,  não basta que organizemos , gays, negros , mulheres, maconheiros e militantes pelos testes em célula tronco, por que essa militância fragmentada tem fracassado tentativa a pós tentativa na batalha pela a provação de uma série de  pautas significativas, vide a legalização do aborto, o casamento homossexual, a criminalização da homofobia,  a legalização da maconha e os avanços da medicina genética.  Que estão no mesmo patamar que as reivindicações sindicais e a luta pela reforma agrária, com uma distinção básica no campo onde esses debates ferem mais a ordem vigente e opressora.
Segmentos como Movimento Sindical, MST e MSTS, tem muitas de suas pautas centrais voltadas para a questão direta entre os mandos e desmandos do grande capital e a crescente liberdade de investimentos de recursos, de quem detem os meios de produção, em detrimento do respeito a vida e a cidadania dos trabalhadores, as pautas desses movimentos tem em comum a oposição capital X trabalho e as sucessivas e históricas vitória do primeiro sobre o segundo, movimentando aquela velha mola marxista para a história enquanto tensão entre classes.
Nós Gays, Mulheres, Negros, Índios, maconheiros e cientistas, enfrentamos outra série de problemas, esses não estão diretamente ligados a esta oposição, mas a outras, as pautas morais, aos velhos ditames da moralidade que sustentam opressões e consequentemente tornam a sociedade mais modelável á vontade daqueles que vivem muito longe dos problemas que acometem significativa parcela da população.
O maior problema comum desses segmentos que cito no título desse texto estão relacionados a garantia do Estado Laico, com isso não queremos oprimir aqueles que professam suas religiões e as manifestam livremente, queremos a garantia do bem-estar para pessoas que não comungam de valores sedimentados em conceitos milenares, logo ultra-ultrapassados,  opiniões frágeis e ainda assim dominantes.
Antes de conseguirmos aprovar as emendas, leis, portarias e similares vamos ter que conseguir fazer valer e reinterar-se o Estado Laico, precisamos de legisladores, executivos e juristas para garantirem a inconstitucionalidade de certas decisões, precisamos deslegitimar a argumentação fundamentalista, nos vetos sobre leis, nas decisões sobre emendas, que determinam pautas que só são polêmicas por que existe um exército de conservadores, bradando parábolas e impedindo o avanço, técnico, científico, humano e  social, já é tempo de por fim a transformação do senado e do congresso em púlpito e nave , precisamos imediatamente de uma pauta comum que nos garanta avançarmos juntos, fortes e estratégicos rumo a vitória de muitas pautas de uma só vez, por isso eu lanço a campanha: Eu quero meu Estado Laico!
Temos essa pauta em comum, precisamos refletir sobre ela, convencer pessoas e congregar aqueles que não podem ou resistem a assumirem esta ou aquela bandeira, lutar pelo veto ao fundamentalismo como argumentação, denunciar as bancadas e senadores e até  limpar nosso próprio jardim.
O grande avanço dessa pauta é que a gente bota todo mundo embaixo da mesma bandeira e o cara-a-tapa desse o daquele discurso fica guardado pra quem já ta com a bunda exposta na janela.  Se nem todo mundo assina lista de apoio pra legalizar maconha ou aborto, dá pra pelo menos afirmar que coletivamente a gente só quer um Estado baseado no direito recente da democracia na república e não nalgumas tábuas rabiscadas de tempos longamente idos.
A luta tá ai, as pautas são diferentes e o objetivo é o mesmo, queremos respeito, saúde, dignidade e um pouco de alegria, se não ninguém segura esse rojão.
E eu vos digo: Lgbts, mulheres, negros, cientistas, índios e maconheiros: Uni-vos! só o Estado Laico pode trazer o caminho, a verdade e a vida!
Axé!

Um outro mundo laico e o pecado nosso de cada dia!


Um outro mundo laico e o pecado nosso de cada dia!



 

Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
(Thiago de melo. )

O mundo tal como foi concebido pelos homens, só o foi por que a vontade de uns e as características morais de outros conviveram em forma de embate até o presente momento sendo uns vitoriosos e outros derrotados.
Todos nós identificamos que alguns existem em melhores condições físicas e morais que tantos outros, que a forma como uns são incorporados a realidade é absolutamente diferente da forma como outros o são.
A redundância das duas afirmações só objetiva deixar claro, que cada conjunto específico de pautas dos vários segmentos do movimento social denota um conjunto de  situações, posições, expectativas  que são oferecidas para alguns e negadas para outros, coisas como cidadania, moradia digna, direitos ao trabalho, garantia de lazer e bem-estar social, direito a terra e a um pouco mais de felicidade pra todo mundo!
Essa transformação é possível com a alimentação do sentimento aguerrido diante da opressão, da força na garganta pra bradar pelos direitos, na indignação …o paradigma da paz não pode nos silenciar.. nada esta tão bem que não possa ser mudado, nada já foi conquistado que não sejam migalhas do mundo que esperamos para as futuras gerações, a nós cabem as durezas imediatas , os planos sucessivamente mezzo-realizados e manter sempre  a nossa força para a luta cotidiana pra conquista de cada coração, de cada mente.
Procedendo assim  no mundo com visas a retomada de um sentido de humanidade que impossibilite manifestações visivelmente em desacordo com a integridade da vida humana, com a manutenção do equilíbrio do mundo, com a necessidade de convivência com as diferenças inalienáveis dos seres. Impossibilitar as manifestações mais conservadoras é criar o veto de argumentação, seremos tolerantes desde que suas afirmações estejam de acordo com as diversas reivindicações daqueles que em conjunto compões as minorias étnicas, sexuais, economicas, trabalhistas…, representados pelos diversos setores dos movimentos sociais.
Através da união das pautas que denunciam as arbitrariedades comportamentais, legais e morais, arraigadas em nossas formações vivenciadas no cotidiano e tidas como normais e regulamentadas pela constituição, sendo que, podemos afirmar seguramente que os conjuntos de pessoas que vem sendo exterminadas seja pela violência do tráfico, seja pelo ódio, sejam pela fome da Etiópia, configuram macro-modelos de preocupações, cujas soluções que vem sendo propostas são sistematicamente perseguidas por aqueles que detém  os maiores interesses, que numa sociedade com o  capitalismo altamente desenvolvido quase sempre são econômicos interesses.
Nós dos movimentos sociais precisamos cada dia que passa estarmos mais juntos, cada dia mais colados uns nos outros , os seres são integrais, logo nossa luta deve buscar também a integralidade, incorporando discursos e formando frentes de combate as opressões, caminhando em fileiras , nosso exército em pouco tempo ocupará os lugares que ainda estão por conquistar para o estabelecimento total do nosso modelo de outro mundo.
Para garantirmos sem limitações um Estado que tire o olho do céu e mire pra terra, que tire o Jesus crucificado detrás das mesas dos parlamentos e coloque a verde-amarela bandeira dessa nação, feita de diferenças e de lutas,   da mistura de jeitos , gentes e costumes.  Precisamos vencer o moralismo que acredita numa verdade que  representa alguns, mata, silencia e ignora outros
O mundo laico possível reserva pra algumas religiões o direito de ter um Deus soberanamente justo e bom, que respeita, tolera, protege e ama cada um dos seus filhos, todos irmãos! E para todas o direito ao silêncio diante da diferença, em caso de intolerância.
A laicidade permitirá aos que acreditam em Deuses rigorosos nos valores e incapazes de mudar de idéia e  de gostar de todas as pessoas, fazerem-no dentro de suas casas, de seus templos, detrás dos seus púlpitos. Mas não nos plenos públicos, não na nossa cara, não com o dedo em riste acusando-nos de pecadores e punindo-nos com suas leis e normas.
Os valores de uns não podem continuar sendo a pesada cruz de outros tantos no nosso mundo possível cordeiros e lobos pastarão juntos, mesmo que a gente não seja do mesmo rebanho.
E Eu ?

O velho feminismo e a nova mulher Contemporânea.




 
O velho feminismo e a nova mulher Contemporânea.



Coisa difícil nesta vida é ser mulher, a opressão está ai viva, conseguimos muita coisa e muitas outras ainda estão por conquistar, bem como muita coisa ainda precisa se feita para vencer o “monstro do machismo” que esta ai a espreita, só esperando um brecha para avançar sobre nós e nos derrotar, é uma luta cotidiana, feita a cada minuto, é de nós para nós mesmas e de nós para o mundo.
O feminismo tal como o conhecemos e talvez tal como o reproduzimos precisa passar por sérias atualizações, e hoje não existem impedimentos institucionais para que mulheres ocupem espaços de poder, cargos em direções, virem chefes, presidentes, diretoras, sejam legisladoras, executivas, líderes sindicais, mães, amantes, mulheres, avós, tias e ainda resolvam os problemas da casa, são mil poderes e temos tempo para todos eles.
O poder está ai e cada dia mais o feminino ganha espaço e algumas mulheres conseguem representar muito bem anseios de milhões de mulheres, mas eu lhes pergunto é suficiente?
Alguns aspectos realmente precisam ser ressaltados, aproveito a proximidade do dia das mães para refletir sobre o que eu aprendi que era ser mulher, e como o mundo  nos faz mulheres outras, que não aquelas esperadas pelas criações, que nos tomam por vítimas de um sistema opressor, criador de fragilidades, determinadas por estarem diante de um poder muito maior que é o poder que tem parido e criado o mundo.
E como coisas belas, raras e caras, são destinadas aos cofres e cativeiros, ainda os vivemos, não mais de pedra e ferro, mas desta vez grades virtuais, que são rompidas por algumas companheiras, mas continuam a existir ali, invisíveis e reais, aprisionando tantas outras.
É preciso que se diga, são dependências emocionais, fragilidades sociais, dificuldades estruturais e contingências ancestrais, os determinantes dos nossos parâmetros de conduta, são nossos afetos em relação á nós enquanto “mulheres & expectativas” e o nosso ser agente transformador da realidade e a quase impossibilidade de separarmos uma coisa da outra.
O que é necessário compreender é que precisamos passar por uma re-leitura do nosso feminismo, talvez  da grande teoria feminista que nos colocou imersas nas pautas de medo dos padrões de consumo, da maternidade, da libertação sexual e do exercício da multiplicidade dos afetos.
Nosso feminismo é hostil e distante das fragilidades que os homens, não os machos, impuseram e nós aceitamos, talvez por serem em alguma medida confortáveis, afastam-nos da necessidade da luta, do uso do nosso poder e da necessidade de enfrentarmos demônios íntimos e coletivos todos os dias.
Esse outro mundo que a emancipação feminista forjou a custa da luta de algumas mulheres, precisa ser de todas as mulheres, criamos ícones de luta, forjamos referencias de luta, mas não investimos verdadeiramente na idéia de sermos livres e companheiras.
O nosso feminismo também julga algumas mulheres mais importantes que outras, também estabelece parâmetros para maquiagens, roupas, padrões sexuais. Quando sabemos que o problema da sociedade igualitária não é esse.
Esse novo feminismo que queremos tem dois pés dentro da diversidade sexual, é o respeito ao peito, o respeito aos excessos e as singularidades, como dizem meus companheiros de luta dentro do movimento de Diversidade Sexual é preciso Fechar! Aparecer, empoderar-se, sempre e isso é tanto uma luta intima dentro de nós vencend,o informações defasadas e fazendo cada vez mais livres os nossos corpos, as nossas mentes e as nossas vontades.
Precisamos deixar que as mulheres tirem de dentro de si o que quiserem, como os filhos que não escolhemos como virão, mesmo que já possamos decidir, se, quando e quantos teremos.
Falta-nos uma visão libertadora dos parâmetros de comparações entre formatos, modelos, enquadres e encaixes, a verdadeira feminista é livre dos rótulos e poupa-se de colocá-los.
E lhes digo esse novo modelo de feminismo não é heterossexual, ele é múltiplo, é  simplesmente sexual tendo em vista que concede o direito ao corpo e o exercício da cidadania, é o nosso julgamento sobre as vontades alheias, é o nosso olhar de reprovação que dificulta que , de fato, muito mais mulheres estejam por ai a empoderar-se  garantir os avanços de nossas pautas e quem sabe a extinção do debate do antagonismo de gênero, fruto da extinção desse antagonismo,
Queremos nosso corpo livre? Façamos! Livre de quem? Quem está aprisionando nossos corpos? Quais as amarras que lhes prendem? Temos medo da industria de cosméticos? Por que temos medo de envelhecer?  Tememos os padrões que consumimos e legitimamos.
E definitivamente esse não é o foco do debate.
Creio realmente que o cerne do debate é sermos livre, livres de medos próprios, livres da condenação nossa de cada dia, das cercas com as quais impomos para nós mesmas e para outras companheiras  e  mundos tacanhos.
Um novo feminismo e a nova mulher pós-moderna. A Mulher pós-moderna (com perdão da má palavra), talvez ao contrário do homem pós-moderno, é engajada, trabalha, consome, vive sozinha, separou-se, fez sexo sem compromisso, deu por amor e por vontade, abortou ou nunca engravidou, realizou desejos e fantasias sexuais, sente-se bem com o próprio corpo, sem-vergonha, por que a mulher pós-moderna sabe que seu corpo lhe pertence e não pode e não deve ser alvo de ameaças ou constrangimentos, sejam eles físicos ou morais. A mulher pós-moderna, age e reage, dá, doa e recebe.
A liberdade sexual, a superação da imposição dos valores e a compreensão dos novos modelos de família e sexualidade são fundamentais para uma atualização do movimento feminista que ganhe mulheres não somente para suas pautas, mas para o poder, o poder de lutar por creches para as companheiras com filhos, por mais acesso á saúde, por jornadas menores para mães de filhos pequenos, pela regulamentação dos vários direitos ao corpo, o poder de lutar por melhores condições de trabalho, de inclusive casarem-se com outras mulheres.
Nós não queremos igualdade entre os sexos, mas antes sim o respeito  e o reconhecimento às diferenças e singularidades que compões as sexualidades, sejam elas hormonais ou subjetivas.
É preciso camaradas começar a construir um novo jeito de ser feminista, menos preocupado com como é que se deve ser mulher e mais envolvido com a necessidade premente de que as mulheres tornem-se mulheres, libertem-se de ser machistas, tomem as rédeas de seus destinos e possamos caminhar juntas e juntos reconhecendo nossas diferenças e respeitando nossas singularidades.
Assim que quando mais tarde nos procurem diremos, nos libertamos de nós mesmas, dos nossos próprios preconceitos,  e dos monstros debaixo e em cima de nossas camas, ai sim! nos tornamos verdadeiramente livre!
Mas até lá temos muito trabalho pela frente e muita ainda por dizer…

O Bulling na UniBan







Geise Arruda, vítima de Bulling Universitário.



Não queimaremos nossas minissaias!

“Joga pedra na Geni Joga bosta na Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni”


Quando a gente acha que já viu tudo, que a revolução feminista já está consolidada e que talvez faltasse apenas convencer algumas mulheres do seu papel na sociedade a gente vê a verdade gritar, vaiar e perseguir com um ato covarde de intolerância.
E um retrocesso de 200 anos invade as formas mais modernas de comunicação, todo mundo pode ver, acessar e até incorporar as suas páginas pessoais as cenas grotescas, primitivas, que ofendem não só a mulher de vestido vermelho no exercício da sua liberdade, mas todas as mulheres de corpos e mentes livres , que negam padrões, recusam valores ultrapassados e cumprem seu papel na transformação dessa realidade dissimuladamente respeitosa.
Pra quem se destina o respeito na nossa sociadede?  Para  as mulheres cobertas e publicamente assexuadas, para as esposas e filhas dos homens de bem? Para o que esta dentro das limitadas expectativas de comportamento formuladas pelos machos pra ser adotadas pelas fêmeas , queremos também respeito para o que está dentro de decotes e minissaias, para o que requebra desafiador, para o que não teme os olhos embaçados de hipocrisia.
A vaia da UNIBAN, não é só para da mulher de vestido vermelho, ela é pra mim, ela é de cada feminista,  lésbica, bissexual e de cada uma de nós, mulheres libertas do julgo dos padrões masculinos de respeitabilidade. Ainda existem as mulheres pra casar com suas saias nos joelhos e as mulheres pra vaiar, perseguir, ofender, botar pra fuder, agredir, diminuir e para o exercício da violência em suas multiplas formas física, psicológica, moral…
Esmorecemos um dia na luta e lá estão os apontadores e seus dedos em riste, lá está a verdade da opinião bradada do alto do castelo de sonhos de um mundo pudico, comedido, onde as mulheres, independentes de seus sutiãs queimados, de sua ascensão ao poder, de seu papel incomparável na luta de classes , ainda são alvo dos ditames anulantes do nosso machismo moderno.
Hão de vir também as conservadoras,  incrivelmente mulheres, como nós, e gritarão com suas vozes quase sempre caladas: - Puta! Que roupa é essa?
Mas diferente do que fizemos com o sutiã, não queimaremos nossa minissaia, ela continuará mostrando a parte permitida de nós, a parte de nós , que sonha, deseja, que bate perna e bate coxa, que saracoteia desafiadora pelas ruas repletas dos homens e suas vontades, não queimaremos nossas minissaias, elas cada dia mais serão mini e cada dia mais serão o máximo da prova de que queremos nossos corpos, nossas mentes  e nossas vontades livres!
Conclamo as companheiras a tirar suas saias curtas do armário sem medo, por que a paz sempre foi fruto da guerra e perder essa batalha, com a expulsão da mulher do vestido vermelho é a prova de que ainda estamos em guerra!
Sem vergonha de ser mulher !  precisamos ser cada dia mais: sem vergonhas!

As drogas e a juventude sem-futuo












 






As drogas e a juventude sem-futuro.
Andreza Almeida*
” Estou com medo
tive um pesadelo
posso dormir aqui
com vocês?”
Legião Urbana..




O que gera a violência? Essa é uma pergunta difícil de responder, a violência advêm de uma série de fatores que vão desde predisposições de personalidades, até macro questões estruturais, de modo que os vários tipos de violência, da doméstica a institucional, passam por uma série de mediações que exigem estudos específicos para compreender as nuanças sutis que separam o que são fatores comuns e o que é exceção, desvio ou subjetividade.
Na área da segurança pública os fatores subjetivos são as mentes que comandam e as sub-subjetividades que executam, nisso temos os diferentes policias, coronéis, comandantes, secretários, juristas, legisladores e executores, todos pessoas, cheias de ideias, ideais e valores.
É preciso antes de nos enveredarmos pelos caminhos dos macro-fatores, olharmos atentamente para a questão desses valores, dessas subjetividades e da quebra de paradigmas.
O conservadorismo não é bem representado por muros intransponíveis, que para atravessá-los seja necessário convites ou picaretas, antes ele é melhor representado por cercas, podemos ver através delas, desejarmos estar do outro lado, e mesmo transpor essas fragilidades culmina em conflito, quebrar, romper, invadir, aquilo que tomamos por definitivo, que estabelecemos como parâmetros, fronteiras, limiares.
É a sociedade um conjunto de acordos e consequências.
O conservadorismo associado a subjetividade mantém leis antiquadas, resguarda valores ultrapassados, toma como corretas medidas excessivas, e constrói as cercas imaginárias que nos separam das transformações do mundo.
Logo para mudar certos quadros é preciso vencer ideias, superar velhos hábitos, romper a barreira dos costumes e enfrentar as rajadas de balas simbólicas ou reais que se destinam a quem ocupa territórios particulares.
Porque é na consolidação desses valores, dados como corretos e dignos de defesa, que vão residir os problemas estruturais, no caso da violência pública associada ao tráfico de drogas, o proibicionismo e a repressão armada são os dois paradigmas, determinantes, para uma análise dos aspectos mais subjetivos do problema, o desenvolvimento dele, no entanto, está mais relacionado a problemas como a pobreza e a falta de emprego e educação.
Mas isso é o que todos já disseram e que já foi visto e debatido a exaustão, o que de novo então podemos somar a este debate? O fato é que faltam medidas emergenciais de Redução de Danos Sociais, se o sujeito nasce em condições de pobreza, em áreas de violência e com todas as dificuldades do mundo para ir a escola e concluir estudos que lhe permitam uma vida segura e digna, com trabalho, saúde e moradia, esse jovem tem um grande potencial para um dia estar engrossando estatísticas de violência, desabrigos, mortes.
Por que um jovem usa drogas?
Por que um jovem entra para o tráfico de drogas?
No primeiro caso podemos citar alguns fatores a busca simples por prazer, a falta de outras compensações, a curiosidade, a pressão social, o desejo de novas experiências, aquele velho e bom espírito transgressor.
As drogas além de propiciarem estados alterados de consciência, deixando longe de nós pensamentos indesejáveis, provocam sensações agradáveis, representam status, conferem diferentes valores sociais, definem posições em agrupamentos e mais que tudo isso a droga gera grupos de identidade dentro dos quais os jovens se encontram, compartilham e comungam experiências, acordos, ideais e perspectivas, muitas vezes a revelia de mediadores como a família, o Estado e a Escola, muitos deles depois terão seu primeiro grande encontro institucional com a polícia, em alguns casos o único da vida.
Qual a diferença na expectativa de vida de um escravo no idos do século XIX e um jovem negro no tráfico? Por que são os remanescentes de Quilombo como o Calabar e o Engenho Velho da Federação e outros quilombos atuais como são os morros e outras periferias que continuam a ser o local de investidas das milícias?
Definitivamente o tráfico seja ele de negros ou de drogas ainda fornece dinheiro para grandes comerciantes à custa da consumição da carne mais barata do mercado, os recortes etários e étnicos da pobreza continuam os mesmos há séculos.
Os motivos que levam um jovem a entrar no mercado das drogas são muito parecidos com os que o conduzem ao consumo, com um grande diferencial oriundo do nosso modelo consumista, a felicidade vendida nos comerciais, o glamour das novelas, o universo dos shoppings, eles também querem consumir, também querem status, poder social e aquisitivo e o tráfico é uma maneira rápida e muitas vezes a única, de sentir-se inserido dentro de seu contexto social, obter respeito, poder e dinheiro, coisas absolutamente desejáveis por todas as camadas sociais.
A Redução de Danos, por princípio, prevê problemas, admite pragmaticamente a existência das práticas para além das proibições e minimiza assim impactos posteriores e imediatos.
Trabalhando com diferentes conceitos para promiscuidade, um muito particular é o social, uma casa com muitas pessoas, pouca comida e nenhum espaço é um lugar de promiscuidade, as noções de assepsia, privacidade e respeito de espaços ficam bem distante dessas realidades, por isso é preciso tirar de dentro de casa jovens nessas condições, por que eles por si próprios sairão, com a diferença de que não terão um local adequado para ir.
Quem são as maiores vítimas da violência urbana, quem são os que a promovem? Que tipos de crimes acontecem em maior intensidade? que parte desta violência, dessas vítimas e algozes é fruto do tráfico de drogas?
A experiência, muitos estudos feitos e os jornais nos dão indícios de faixas etárias, localizações espaciais, histórias de vida, sabemos que o grosso da violência e dos problemas agrupados sobre drogas, usos críticos e decorrências do tráfico acontecem em camadas específicas da população exatamente isso é o que chamamos vulnerabilidade social.
Minimizar essa vulnerabilidade e reduzir seus danos exige uma ampliação da tutela do Estado sobre a infância e a juventude. Atualmente os programas voltados para estes segmentos sofre problemas com descontinuidades ou interrupções, causadas por transposição de faixas etárias, mudanças de governo, términos de financiamentos e como vieram se vão.
Além disso esses programas para jovens, não dão conta da integralidade necessária na minimização de conflitos sociais e familiares, na mediação de dificuldades como questões de gênero e etnia, afirmações identitárias, inserção no mundo do trabalho, além de muitas vezes produzirem expectativas sem supri-las, aumentando o descrédito que tem as instituições públicas para esses indivíduos.
Não falta apenas uma Secretaria Estadual de Juventude, falta um Sistema Único para a Juventude, que garanta que o jovem entre na escola no tempo certo, acompanhe seu desenvolvimento escolar, amplie o tempo que passa recebendo educação, afaste os mais conflituosos de um meio ambiente danoso, garanta seu ingresso no mundo do trabalho e o auxilie na construção de valores que o distancie da violência.
Logo são dois novos paradigmas o da regulamentação do consumo e venda de psicoativos e a compreensão da juventude como estratégica para uma construção, em médio prazo, de um país com cada vez menos desigualdades sociais e livre do extermínio da pobreza.
Revitalizar espaços, atualizar abordagens, discursos e garantir a continuidade das ações são pequenos passos, mas já é um grande começo.

A Autora.

A Autora.
Andrezza Almeida